Na maioria dos casos, não. No Brasil, a lei protege os chamados herdeiros necessários, e os filhos têm direito garantido a parte da herança.
Essa é uma das perguntas que mais geram conflitos familiares, principalmente quando existe mágoa, afastamento ou brigas antigas dentro da família.

Muitas pessoas acreditam que podem simplesmente fazer um testamento e retirar completamente um filho da herança. Mas a lei brasileira impõe limites.
Os filhos são considerados herdeiros necessários. Isso significa que, em regra, eles têm direito a uma parte obrigatória do patrimônio.
A chamada “parte legítima” corresponde a 50% dos bens da herança e deve ser dividida entre os herdeiros necessários.
A outra metade pode ser destinada livremente por testamento.
Ou seja:
→ uma pessoa pode favorecer um filho;
→ beneficiar terceiros;
→ ajudar instituições;
→ deixar bens para alguém específico;
mas normalmente não pode excluir totalmente um filho sem motivo previsto em lei.
Existem situações excepcionais em que a exclusão pode acontecer.
Isso ocorre através da chamada deserdação ou indignidade sucessória.
Alguns exemplos previstos na legislação:
→ agressão grave contra os pais;
→ tentativa de homicídio;
→ calúnia grave;
→ abandono em situações específicas;
→ crimes contra a honra;
→ fraude ou violência envolvendo o testamento.
Mas mesmo nesses casos, normalmente é necessário comprovar judicialmente os fatos.
Muitos testamentos acabam sendo discutidos justamente porque a família entende que houve:
→ manipulação;
→ pressão emocional;
→ incapacidade da pessoa que assinou;
→ favorecimento indevido;
→ tentativa ilegal de excluir herdeiros.
Por isso, planejamento sucessório precisa ser feito com muito cuidado.
Dependendo da estrutura familiar e do patrimônio, existem estratégias legais mais seguras para organizar a sucessão ainda em vida e reduzir conflitos futuros.
Uma consultoria jurídica pode ajudar a analisar:
→ quais limites a lei impõe ao testamento;
→ como proteger patrimônio familiar;
→ formas legais de planejamento sucessório;
→ riscos de futuras disputas entre herdeiros;
→ possibilidade de anulação de testamento.
E na sua opinião: os pais deveriam poder escolher livremente quem recebe a herança ou a lei faz bem em proteger os filhos? Essa discussão aparece muito nas famílias. Você pode compartilhar sua visão nos comentários do blog.
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Sobre a Autora
Ana Bezerra é advogada especialista em Direito de Família e Sucessões e em Direito Penal e Processo Penal, com mais de 9 anos de atuação jurídica e atendimento online em todo o Brasil. Também é jornalista e se formou simultaneamente nas duas áreas, recebendo ambos os diplomas no mesmo dia.
Durante quase 5 anos na televisão, atuou como repórter e produtora, levando informação de forma clara, humana e acessível para milhares de pessoas. Também é convidada como especialista para repercutir temas jurídicos e assuntos de interesse social em programas de TV com abrangência nacional.
Neste blog, compartilha conteúdos profundos para quem busca não apenas informação jurídica, mas também reflexões que fazem parte da jornada humana. Cada texto é pensado para unir conhecimento, comunicação clara e acolhimento em momentos que, muitas vezes, chegam sem aviso e exigem de nós força e coragem!


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